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"The Plataform"

 14 de dezembro 2021

    

    Irei falar sobre o filme “The Plataform”, que foi lançado em novembro de 2019 pelo realizador/diretor espanhol Galder Gaztelu-Urrutia e relacioná-lo com a matéria que estamos a dar em Psicologia.
    

    A história gira em torno de Goreng, um homem que se voluntariou a ir para a prisão. Essa prisão é uma torre vertical com centenas de níveis ou andares que funcionam como celas, assim sendo uma cela por andar e duas pessoas por cela. O seu sistema é o seguinte: divisão de comida, basicamente é preparado um enorme banquete que é colocado sobre uma plataforma que vai descendo gradativamente uma vez por dia para alimentar os prisioneiros, começando no nível um (quanto mais inferior for o nível menos alimento chega às pessoas). Esta prisão funciona de forma aleatória e muda a cada 30 dias: é impossível para os prisioneiros saberem onde se vão encontrar, com quem se vão encontrar e quais serão os recursos alimentares a que terão acesso.



    Durante o filme “The Plataform”, existe apenas uma única regra: não manter a comida guardada na cela após a descida da plataforma. Em caso de desrespeito com desta regra, a consequência será o aumento da temperatura até os prisioneiros ficarem queimados ou diminuição da mesma, ao ponto de estes ficarem congelados. Para puderam sobreviver, estes prisioneiros podem matar ou violar dentro da prisão, o que lhes é permitido. 



    Sabendo nós que uma sociedade é regida por normas e que estas reprimem os instintos dos seres humanos racionais, para que seja possível viver em segurança e de forma pacífica e, sabendo que naquele lugar todas as normas são violadas, a que conclusão podemos chegar? A resposta pode variar de pessoa para pessoa, porém, é claro, que a ausência das regras básicas (como não matar, não violar, não roubar...) tornam a vivência dentro da prisão num verdadeiro inferno, visto que, podem ser vítimas de algum tipo de violência enquanto dormem, como aconteceu com o protagonista, o qual acordou amarrado pronto para se tornar a comida do seu companheiro de cela.



    No entanto, tendo em conta que os prisioneiros lutavam para se manterem vivos, será válido ou aceitável a decisão de comer carne humana? Em primeiro lugar, é importante ressaltar que o canibalismo acarreta inúmeras desvantagens para corpo humano e a probabilidade de um indivíduo morrer, após ingerir carne da mesma espécie, é muito alta. Em segundo lugar, a sociedade definiu que “Não vale tudo para sobreviver”, ou seja, é compreensível que todos eles queiram sair com vida daquele lugar, todavia, os danos psicológicos que tal ato causa numa pessoa valeriam a sua sobrevivência? Afinal sobreviver não é o mesmo que viver.





Eu partilho da opinião de que, neste filme, o ser humano nos é apresentado como realmente é, um ser cruel e capaz de tudo pela sua própria sobrevivência, pelo seu próprio bem, embora saibamos que existam exceções. 





A solução que eu apresentaria para que todas as pessoas, dos 333 níveis, pudessem ter acesso à comida era simples: bastava comerem apenas o necessário, partilharem a comida com os demais e abandonarem a gula. Obviamente, ninguém terá pensado em tal coisa, uma vez que sempre se manteve o mesmo ciclo: quem está em cima é melhor e quem está em baixo é inferior. 




De uma forma geral, todos eles procuravam o prazer e todos eles tentavam evitar a dor e, por isso mesmo, cada um lutava pela sua sobrevivência de uma forma quase instintiva.


Creio que, através das imagens deste filme, seja possível refletirmos sobre as necessidades primordiais do ser humano e a forma acérrima como este luta para proteger a sua vida e garantir o seu bem estar.









Bruna Marina Lopes Salgado 

nº8

12º D

Línguas e Humanidades







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