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Método Psicanalítico

 

    Método Psicanalítico

   

Na aula de segunda-feira, dia 28.02.2022, começamos a falar do método psicanalítico. O método psicanalítico, de Sigmund Freud, é um método de investigação dos processos inconscientes da vida mental e uma forma de psicoterapia, ou seja, consistia em estabelecer relações entre tudo aquilo que o paciente lhe mostrava, desde conversas, comentários feitos por ele. O paciente deve ser capaz de se analisar a si próprio e de se comprometer com o processo.

O inconsciente, o pré-consciente e o consciente são sistemas mentais que mostram as inter-relações deles e a relação com a consciência. O sistema inconsciente abrange os elementos psíquicos cuja acessibilidade à consciência é quase impossível, ou seja, impulsos e sentimentos dos quais o indivíduo não tem consciência. As formas que conseguimos ver isso é através dos sonhos, testes projetivos, atos falhos e associação livre no processo do diálogo. Através destes artifícios os conteúdos reprimidos no inconsciente passam à pré-consciência, após passarem pelos mecanismos de deslocamento, condensação, projeção e identificação. O segundo sistema foi o Pré-Consciente, o qual compreende os elementos mentais prontamente acessíveis à consciência. São regidos pelos processos secundários. Nele também estão os pensamentos, ideias, experiências passadas, impressões do mundo externo e outras impressões que podem ser trazidas à consciência. O Consciente, por sua vez, inclui tudo o que for consciente em determinado momento. Os conflitos característicos da primeira infância podem ser resolvidos, seguindo-se um desenvolvimento psíquico saudável. Mas, como acontece muitas vezes, podem ser mal resolvidos ou mesmo não resolvidos. Isto significa que são recalcados ou reprimidos, afastados para longe da nossa consciência. Que esses conflitos se tornem inconscientes não implica de modo nenhum que sejam desactivados ou deixem de existir. Com efeito, não se manifestando directamente ao nível da consciência, tais conflitos e incidentes traumáticos continuam a afectar o nosso comportamento e a nossa personalidade sem disso termos consciência. Quer isto dizer que se manifestam de forma indirecta provocando perturbações psíquicas, desordens no comportamento e sofrimentos físicos. Como esses conflitos e incidentes foram recalcados (tornam-se inconscientes), são, sem que o saibamos, a causa dos nossos actuais padecimentos físicos e psíquicos. Contudo, Freud subdividiu o sistema psíquico em três fases, O id ( conjunto de necessidades e impulsos biológicos presente no momento do nascimento e que procuram a satisfação) onde armazenamos todas as necessidades insatisfeitas; o Ego ( utiliza mecanismos de defesa que lhe permitem gerir a ansiedade pelos conflitos entre as exigências do Id e as exigências sociais ); Superego (é uma parte constituída pela introjeção da imagem idealizada dos pais, símbolos dos tabus e das interdições sociais. Opõe-se aos desejos do id e a sua atividade é sobretudo inconsciente). Além destas técnicas, é necessário que entre o paciente e o analista se estabeleça uma determinada relação: a transferência. Este processo consiste no facto de o paciente experimentar, na relação com o psicanalista, sentimentos de natureza semelhante aos que na infância certas figuras parentais (pai, mãe, irmão,..) lhe despertaram. Sem a transferência, isto é, sem esta ligação afetiva intensa (positiva ou negativa), é difícil obter qualquer resultado terapêutico significativo.

Por fim, o seu foco é a remoção das causas daquele problema, embora, não incida somente sobre as raízes dos fenômenos. Ela coloca o sujeito a questionar-se sobre seus sintomas, historizando seu discurso e elaboração por parte do analista, de uma hipótese diagnóstica. Isso transforma a doença em neurose de transferência, e ao eliminar esta neurose, elimina-se a doença inicial e o paciente fica curado.









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