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A diversidade humana

  


  A diversidade humana refere-se ao facto de nenhum ser humano ser igual a outro. A diversidade é a condição da individuação.
  A diversidade em todos os seus aspetos (biológico, cultural e social) é a condição essencial para que as pessoas construam de modo original a sua história pessoal, conferindo significados a tudo o que acontece consigo e ao que veem a acontecer ao seu redor.
  Se juntarmos as diferenças estruturais e funcionais da biologia, a heterogeneidade dos elementos culturais, a diversidade dos contextos sociais e as experiencias significativas aí ocorridas, o leque de diversidade amplia-se, mostrando como é que é possível as pessoas manifestarem carateres que as individualizam, tendo cada uma a sua forma de ser, estar, sentir e se comportar.

Aspetos positivos da diversidade humana:

  • Fator de aprendizagem o convívio com pessoas diferentes multiplica as hipóteses de efetuar novas aprendizagens.
  •  Fator de abertura e tolerância, o convívio com outras pessoas explora horizontes novos, levando-nos à descoberta de valores que nos deixarão mais ricos.
  • Fator de desenvolvimento intelectual, a coexistência com pessoas oferece um número superior de possibilidades de exercitar as nossas competências mentais
  • Fator de progresso cultural, a diversidade possibilita a renovação em todas as culturas.



Diversidade biológica



  Nas imagens distinguimos homens e mulheres que apresentam claros traços distintivos em termos anatómicos e fisiológicos. Manifestam uma diversidade biológica.

  A sua pele apresenta diferentes colorações: a cor da pele dos seres humanos atuais varia entre o cor-de-rosa-claro e o castanho-escuro; dado que a melanina é um protetor dos raios ultravioleta (UV), muitos investigadores consideram que a cor da pele esta relacionada com os níveis ambientais de raios UV, o que explicaria a estratificação geográfica (pele mais escura nas zonas do planeta onde os ralos UV são mais intensos). Os traços fisionómicos variam também: o desenho dos olhos, à configuração do rosto, o desenho do nariz, a espessura dos olhos, a cor dominante dos cabelos, etc.

  A descodificação do genoma humano mostrou que a constituição genética dos seres humanos é muito semelhante: os 6 mil milhões de seres humanos partilham 99,9% do código genético, o que remete 0,1% para as diferenças individuais. Mark Adams, um dos mentores do Projeto do Genoma Humano, afirma:

“Espera-se que seja o fim das teorias da raça, que não é mais do que a cor da pele".

  Efetivamente, a constatação de que a composição genética dos seres humanos é igual nas diferentes regiões do mundo põe em causa o conceito de raça. Esta conclusão foi, aliás, expressa pela comunidade científica quando foi apresentada a carta do genoma humano. É possível encontrar maiores diferenças genéticas entre duas pessoas que vivam no mesmo país do que entre um africano e um europeu do Norte. Há mesmo maior variação genética entre os negros africanos do que entre as populações do resto do mundo. Talvez por esta razão muitos tenham afirmado que o racismo era um dos preconceitos postos em causa pela descodificação do genoma humano. A questão da diversidade física é, portanto, muito mais complexa do que se julgava.

  Enquanto pertencentes à espécie humana, todos temos um cérebro, que apresenta as características e funcionalidades comuns. Contudo, esta estrutura do sistema nervoso central não é igual em todos os indivíduos, como já estudaste.

  Efetivamente, se a hereditariedade específica assegura um conjunto de características comuns que nos tornam humanos, a hereditariedade individual assegura-nos que somos únicos. E mesmo aqueles que têm o mesmo património genético – os gémeos homozigóticos - apresentam diferenças resultantes da interação que se estabelece, desde a conceção, entre a carga genética e o meio. O desenvolvimento, desde o embrião, envolve uma progressiva diferenciação.

  Diferentemente de outras espécies, em que o programa genético não dá lugar à variabilidade, nos seres humanos o programa genético não define de forma determinista o indivíduo; é, antes, um conjunto de instruções que favorecem a variação individual. O processo de desenvolvimento que ocorre em contexto social vai aprofundar as diferenças que a hereditariedade já se encarregara de assegurar.


Diversidade cultural

  Não é simples ser humano. Aquilo que trazemos escrito no nosso código genético não é suficiente para crescermos como humanos. Alguns dos nossos órgãos mais complexos e poderosos, como o cérebro, dependem, para o desenvolvimento das suas capacidades, de informação que não está contida em si mesmos, dependem das oportunidades que têm para aprender, para apreender.

  Sem a cultura, sem as possibilidades de desenvolvimento que nos proporciona crescermos num cont
exto cultural particular
, seríamos seres incompletos, inacabados. Nascemos, crescemos vivemos em contextos socioculturais muito variados. É nestes que se desenvolve, em interações uns com os outros e com os diferentes ambientes e situações de aprender, a capacidade de criar e de transformar subjacente ao processo de adaptação.

  Quando olhamos para a forma como nos tornamos seres humanos, através da participação em relações com outros seres humanos, percebemos que somos, mesmo biologicamente, seres sociais e culturais. Tornamo-nos humanos num meio que já possui em si estrutura e conteúdo, que possui outras pessoas organizadas em sociedade e que possui formas culturais de ser e de viver. Por isso se torna tão importante considerar o processo de socialização. O processo de integração numa sociedade e cultura particular, indispensável para todos nós, faz com que a diversidade cultural, dos contextos socioculturais onde nos inscrevemos, se traduza em formas distintas de estar, de pensar, de ser e de nos comportarmos.

  Todos somos seres diferentes e semelhantes. Às vezes parecemos mais iguais, às vezes mais diferentes. Não só diferem os nossos corpos, como o que neles se inscreve à medida que crescemos num determinado lugar, numa determinada comunidade com as suas culturas específicas. É mais fácil percebermos semelhanças relativamente àqueles que partilham connosco a sua vivência cultural. Os outros são diferentes: no que fazem, no que usam, na forma como pensam e sentem, na forma como se veem no mundo e vivem nele. Mas também nos assemelhamos: todos os povos, todas as comunidades, têm cultura. As culturas comunicam com os seus membros e com outras culturas, transformando-se mutuamente.

  A cultura tem um impacto muito poderoso naquilo que somos. Compreender a forma como nascer, crescer e participar em diferentes culturas nos torna pessoas com certas características, compreender a diversidade cultural, é fundamental para que possamos perceber e refletir sobre a realidade, sobre o que são os outros e o que somos nós, sobre a forma como cada um pensa, sente e age.



Relativismo cultural

  O Relativismo Cultural procura entender os valores culturais de uma sociedade a partir dos padrões vigentes neste grupo social. Desde a Antiguidade, com o filósofo Protágoras de Abdera, havia uma escola filosófica que defendia essa visão.

  No final do século XIX, a fim de afastar o etnocentrismo e o positivismo, a ideia de relativismo cultural ganhou força, através das obras de Franz Boas (1858-1942).

Definição de Relativismo Cultural

Relativismo

  O relativismo entende que não há nenhuma verdade absoluta, nem no âmbito moral nem no campo cultural. Por isso, propõe uma abordagem cultural e moral sem julgamentos pré-concebidos.

Cultura

  Por sua parte, a cultura pode ser entendida como o conjunto de elementos materiais ou imateriais que pertencem a uma mesma comunidade.

É importante lembrar que não estamos a falar somente das artes e sim dos costumes e tradições de um povo.

Relativismo Cultural: o que é?

  Assim sendo, o relativismo cultural propõe o entendimento de povos e culturas diferentes através das suas próprias crenças.

  Invés de utilizar termos como “superior” ou “inferior”, o relativismo cultural procura compreender certos comportamentos de acordo com a dinâmica social daquela população. Por consequência, ninguém teria direito a emitir juízos de valores sobre essas práticas e classificá-las como imorais ou amorais, certas ou erradas.

  Uma frase do filósofo e historiador alemão Oswald Spengler (1880-1936) resume esta ideia:

“Toda cultura tem seu próprio critério, no qual começa e termina sua validade. Não existe moral universal de nenhuma natureza.”




Ana Raquel Silva nº2
12ºD

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